Assoviando e chupando cana
Por Ricardo Pinheiro Penna
Em recente artigo publicado na imprensa local o sociólogo e presidente da Vox Populi, Marcos Coimbra, usando sua experiência de pesquisador e inteligência de cientista político, rebateu duas crenças populares entre a eleição e a copa do mundo.
Coimbra defende que a formação do processo decisório do eleitor é continuo e não fica em compasso de espera enquanto a bola está rolando. Sustenta também que o desempenho, positivo ou negativo, da seleção canarinho não transborda para nenhum lado político e que, portanto, a copa do mundo não tem nenhuma associação com governo ou oposição.
Na primeira hipótese o famoso cientista político tem razão no geral, mas pisa na bola no particular. De fato, a maioria consegue mascar chiclete e andar ao mesmo tempo. Vou mais longe, a maioria das pessoas consegue assoviar e chupar cana ao mesmo tempo. No entanto há sutilezas. Somos todos capazes de dupla tarefa mas raramente fazemos as duas coisas de forma eficiente ou correta.
É assim com o eleitor. Não restam dúvidas que durante a copa do mundo o processo de tomada de decisões e formação do voto vai continuar existindo. Seria um despautério imaginar que nos dias de futebol congelar-se-iam as questões políticas e apenas a bola iria rolar. Seria simplista a visão da imobilidade da política como é simplista imaginar que tudo continua igual ao período anterior ao campeonato.
O mundo não estaciona esperando o apito final, nem tampouco ficam congeladas as movimentações no tabuleiro de xadrez eleitoral. Em 1994, no início da copa, Lula tinha 22 pontos à frente de Fernando Henrique Cardoso. Ao final do torneio, a diferença havia sido reduzida para 3 pontos percentuais. É a prova que o quadro político muda durante a copa mas é a prova também que, neste caso, teve um empurrão do Presidente Itamar Franco que lançou o Plano Real no meio das oitavas de final.
O crescimento de Ciro Gomes de 11% para 17% em no início da copa de 2002 também dá razão – apenas em parte - à hipótese do presidente da Vox Populi.
O campeonato mundial não congela a política mas reduz muito o processo de tomada de decisão. O cenário eleitoral pode mudar apesar da copa, mas sempre virá acompanhado de um fato gerador.
A afirmação de Coimbra de que não há uma correlação positiva entre ganhar o campeonato e beneficiar o candidato da situação e, inversamente, perder o campeonato e beneficiar a oposição é circunstancial e simplista. Evidentemente não há regra automática. No entanto, pegando carona nas observações de Fábio Wanderley, professor da UFMG, "Uma conquista poderia aumentar esse clima de euforia que já existe com o governo Lula e, assim, ajudar a Dilma".
Aqui também o presidente da Vox Populi está certo, em parte. A vitória ou a derrota não beneficia automaticamente um dos lados mas, no caso de uma derrota, o candidato que recebe a seleção e que carrega uma certa fama de pé frio poderá ser prejudicado.
Ricardo Pinheiro Penna - Diretor de Pesquisa do Soma Opinião e Mercado
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